A CONTUSÃO DO NEYMAR

5 07 2014

Deixei para escrever apenas hoje, quase vinte e quatro horas depois do episódio, para tentar superar, amainar, a irritação e a frustração diante da contusão estúpida do Neymar.

Não gosto de boxe. Acho inadmissível considerar esporte uma prática que objetiva fazer o adversário desmaiar com um soco. Assisti boxe, poucas vezes, e torci, quando o Cassius Clay lutava, mas aí é outra história…

Menos ainda gosto dessas lutas livres que viraram moda, na televisão, nas quais o braço quebrado do adversário é comemorado com alegria! Nem os leões nas arenas romanas…

Bem, porque não gosto de boxe e nem dessas lutas, não assisto. Nunca mais vi uma luta de boxe e não pretendo ver jamais as tais lutas livres de hoje.

Gosto de futebol. E quero poder assistir. Então, me causa espécie que futebol e boxe, ou as tais lutas, se confundam. Tudo é esporte e faz parte da disputa, dizem. Coisíssima nenhuma!

O que aquele colombiano fez com o Neymar – o que não é raro no futebol, reconheço e abomino! – é uma estupidez! Vi detidamente e repetidas vezes o lance no qual o jogador colombiano salta e projeta o joelho no meio das costas do brasileiro. Surpresos com o resultado? Ora, quem já tomou um simples tostão na coxa pode imaginar tranquilamente o que aquilo podia ocasionar. Aliás, o mesmo sujeito já atingira, no mesmo jogo, no primeiro tempo, o Hulck de maneira que podia haver resultado numa contusão tão séria quanto a que o Neymar sofreu! Desclassificante, passível de expulsão, tivesse aquele árbitro um mínimo de juízo!

Aqui cabe lembrar o que as almas colonizadas produziram em relação ao Neymar. Porque brasileiro, vira-latas, salafrário, ele não passava de um cai-cai, encenador de faltas, tentando enganar os juízes todo o tempo. “Os europeus são leais. Duros, mas leais. Os brasileiros, ao contrário, têm o péssimo hábito de tentar enganar a arbitragem” é o que diz e escreve a maioria de nossos cronistas, colonizados que são.

Pois não fora o hábito de pular e, eventualmente, se deixar cair, esse rapaz já teria sofrido uma contusão séria há muito tempo. O que faz, e ainda bem que o faz, é evitar os choques e agressões com que tentam detê-lo.

Se a mercantilização absurda dos esportes, e o futebol é um dos principais produtos à venda no mundo, hoje, fez das disputas esportivas, lutas ferozes, e fez, não é a única causa a explicar tanta violência nos esportes coletivos. No plano das disputas entre seleções, mais do que quando entre clubes, um nacionalismo completamente fora de lugar parece se instalar e o tolo hábito de execução de hinos, antes das competições, parece contribuir decisivamente para tanto.

Aliás, hinos nacionais, e em sua maioria o são assim, costumam evocar gestos heróicos e clamam por eles com cânticos épicos do tipo “e o sangue dos infiéis irá regar os nossos gloriosos campos!”. Precisa mais?

Pra terminar, me ocorre lembrar que a “ferocidade” da mordida do Luisito, a essa altura, tá parecendo mais brincadeira de jardim de infância, né?

José Antonio Garcia Lima

Anúncios

Ações

Information

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s




%d blogueiros gostam disto: