UDN revivida

16 09 2010

Até quando a inércia dos MPF e outros ante ao que está acontecendo, quando os golpistas lançam acusações sem a mínima prova e não acontece nada? Onde está o PT e seus quadros que estão assistindo a tudo calados sem tomar medidas jurídicas? Onde está o presidente LULA que não se manifesta através dos meios que lhe é possível utilizar? Até quando nós vamos ter que aturar a podridão que aumenta a cada dia sem começar a tocar fogo no antro dos golpistas? Porque ninguem com poder de movimentar-se para o combate a tudo está esperando o pior? Será que o povo vai precisar das nossas forças militares para dar apoio e assegurar a sua vontade ao eleger Dilma Rousseff presidente?
Temos hoje um cancro que difere pouquíssimo do que tínhamos há 52 anos, quando um homem cunhou uma frase belíssima sobre um então candidato a presidente. “Juscelino não pode ser candidato, se candidato não pode ser eleito, se eleito não pode ser empossado, se empossado não pode governar.”
O nome do sujeito era Carlos Lacerda. Homem absurdamente brilhante — certamente mais brilhante que a grande maioria da oposição de hoje –, mas também um dos maiores cancros que a sociedade brasileira já produziu.
Felizmente, apesar dos apelos de Lacerda, Juscelino foi candidato, eleito, empossado e realizou um governo memorável.
O golpismo de Lacerda, no entanto, não acabou ali. Tinha atrás de si uma vitória, ser um dos principais responsáveis pelo suicídio de Getúlio Vargas. Já tinha conseguido alguma coisa. Nos dez anos seguintes, Lacerda pediu incessantemente o golpe militar. Foi atendido em 1964, mas foi também uma de suas primeiras vítimas.
Carlos Lacerda morreu em 1977, politicamente destruído, vários anos depois de o partido de que era símbolo, a UDN, ter sido extinto pela ditadura da qual foi um dos principais artífices. Os militares sabiam que não podiam contar com aqueles golpistas. Aquelas vivandeiras eram muito pouco confiáveis.
Mas agora, anos depois, o seu cadáver de triste lembrança foi exumado pela oposição tucana. Desesperados diante do que tudo indica será uma derrota incontestável, os tucanos sobem às tribunas para pedir, sem nenhuma vergonha, o golpe puro e simples, como o venerável senador sergipano José Almeida Lima, ex-prefeito que utilizou a tribuna do Senado para declarar que “não podemos tolerar a vitória da corrupção” e que o governo de Lula “tem que ser interrompido”. Assim como a UDN naqueles tempos, o discurso tenta usar disfarces democráticos. Mas as entrelinhas são grandes demais. E são golpistas.
O raciocínio é simples: se a gente não consegue ganhar no voto, vai ganhar no grito.
E assim cai o véu. O jogo democrático não interessa a eles. O discurso da vontade soberana do povo, para eles, é só isso: discurso. Vestindo a túnica puída da UDN, o PSDB sobe às tribunas pedindo o golpe. O povo, para eles, só sabe votar quando elege um tucano. Quando deixa claro que acredita no governo e que acha que, com Lula presidente, conseguiu comer algo melhor que chuchu ao molho FHC, os neo-udenistas se acham no direito de recorrer ao golpe e à destruição da democracia.
Essa é a nova UDN, vestida de azul e amarelo. Amparada por uma midia pulha composta de jornalões falidos, revista de chantagem semanal e uma tv prostituída desde os seus intestinos que sempre esteve de braços dados com golpistas de outras eras.
Durante os primeiros anos do governo Lula, o tucanato elevava a voz para falar do seu republicanismo. Dir-se-ia serem vestais a serviço da democracia. Se não havia diálogo com o governo, era porque o governo Lula tinha tendências autoritárias, tinha voltado as costas para o social (é engraçado e estranho ouvir o PSDB dizer isso, mas na oposição a gente pode falar o que quiser). Com o escândalo do mensalão, eles passaram a ter algo mais concreto nas mãos. Mas a verdade é que a nova UDN ainda não está acostumada a fazer oposição, e errou na medida.
Por isso o ódio udenista da oposição passou dos limites. Com sua histeria e ferocidade, acabaram criando uma certa repulsa por parte de quem interessa: o povo. O que as últimas pesquisas do Ibope, do Datafolha e do Vox Populi indicam é que, apesar de tudo, apesar de ano e meio de campanha cerrada, de factóides diários, de acusações sem provas, de ações para enxovalhar o caráter como o da ministra Erenice Guerra, o povo continuará dizendo não às múmias udenistas. Apesar de todos os ataques a Lula dos últimos meses, o povo brasileiro continua reconhecendo uma coisa simples: para ele, o governo Lula foi o melhor dos últimos tempos. E não apenas o povo reconhece, o mundo reconhece. Somente os cegos e oportunistas, que vivem nos esgotos e porões a tramarem suas armações não quere aceitar isso.
Enquanto a oposição bate há tempos e de maneira burra da baixaria, o que o povo entende é outra coisa: que as classes mais baixas, melhoraram e muito de vida. O que ele percebeu — e por isso é chamado de ignorante — é que há uma diferença ideológica clara entre o governo Lula e a nova UDN, diferença traduzida no crescimento econômico para quem mais precisa dele. É por isso que hoje, ao contrário do que acontecia até o início de 2005, a oposição abandonou o discurso de que Lula voltou as costas para os pobres. Não que tivesse algum pudor em apelar para isso: mas a dissonância cognitiva é tão grande que até eles, nesta reta de final de campanha tentando tirar o último caldo de virtualmente todos os escândalos acontecidos no país nos últimos tempos, sabem que não funciona mais.
Mas o pior, mesmo, é ver o deboche com que a nova UDN trata instituições que dizia sagradas, como o voto popular. São capazes de insinuar uma tragédia para o Brasil, a destruição de tudo o que foi construído nos últimos 20 anos — inclusive com a sua participação, por sinal nada desprezível — apenas para se ver novamente no poder. Aquele republicanismo tão propalado se revelou uma farsa, como a democracia udenista nunca passou de falácia, e como a recém-descoberta honestidade do PSDB é tão falsa quanto a crença no voto soberano.
Perdendo de vez seus escrúpulos, a nova UDN se igualou ao que existe de pior no nosso passado. Alia-se ao que há de mais abjeto na tentativa de colocar no poder aquele que tem nojo à pobre; o mesmo ser deletério e que há tempos tenta fazer do Brasil uma república de bananas, subserviente ao que dita a sede lá do norte, que lhe exige ficar de quatro e tirar os sapatos, coisa que no nosso governo do presidente Lula foi completamente extirpado do comportamento de nossos representantes diplomáticos ou governamentais.
A UDN que se alcunha PSDB, hoje, é uma vergonha para o Brasil. Assim como é a imprensa golpista que usa e abusa do direito da liberdade de imprensa, sem assumir a responsabilidade por seus atos tramados nos porões e por aqueles que anseiam a permanencia de um dirigente que facilite as falcatruas que os beneficiaram e continuam beneficiando, [vide negócios entre amigos da SEE-SP e Editora Abril].
Mas o fim deles está próximo. É em 03 de Outubro com Dilma Presidente. E logo no primeiro turno.

http://www.simonleonidas.wordpress.com

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One response

17 09 2010
Ze Lima

Sr. Simon,

Não sei se o sr. é só ignorante ou também padece de idiotia.Ignorante sei que é, pois se põe a falar de Carlos Lacerda sem conhecer sua história, sua importância para o Brasil e para a democracia no seu tempo. Idiota parece que também és, ao acreditar que os golpistas são as vítimas da mais desavergonhada máquina de mentira e malandragem política que esse pais já viu.

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