A corrupção na certeza da impunidade

30 08 2010

A busca pelo poder, historicamente caminhou em duas linhas distintas; pelo emprego da força e da violência ou pela corrupção, faz muito e cada vez mais crescente, constituindo-se num dos maiores desafios do mundo atual. Essa prática, reflete, o quadro de ruína moral e estrutural dominante, levando aos que buscam o exercício do poder, reeditarem, na certeza da impunidade, a mais forte das paixões que é capaz de superar até mesmo as limitações biológicas. Mais forte que a paixão erótica e a religiosa, a paixão pelo poder transcende muitas vezes o racional, levando o homem ao delírio, em cujo exercício há configurado o desafio a capacidade de autocontrole.
O objeto dessa paixão é a posse, o uso e o gozo da posição de poder, nunca em momento algum, o resultado do poder, assim concebido, como as transformações e realizações decorrentes do seu exercício.
Essa paixão é induvidosamente corruptora. Tende a corromper, os que exercem o poder, e de igual modo, os que dele se acercam, como na expressão de Montesquieu ” a corrupção de uma administração começa quase sempre com a corrupção dos seu princípios”
Princípios que são ignorados e que limitam as virtudes, em nome de interesses muitas vezes, até inconfessáveis.
Esse é o quadro que se afigura, no contexto da cor-rupção, onde não há limites, como advertiu Rousseau: a inclinação natural de todo aquele que detem o poder por delegação popular é de se apropriar desse poder, cujo exercício lhe foi confiado, daí concluir-se que nem todos estão preparados para o exercício do poder.
O poder modifica o homem, como se infere na lição de Aristóteles, na ética á Nicômaco: “pode-se conhecer bem a alma, os sentimentos, os princípios morais de um homem, indaga o rei Creonte na tragédia Antígona de Sófocles ” se ele se mostrou ainda no exercício do poder, governando e ditando leis”
Nessa linha, cabe lembrar, por oportuno a lição de Padre Vieira, segundo a qual “não há coisa que mais mude os homens do que o descer e o subir e o subir muito mais que o descer”.
O poder é instrumento para consecução de determinadas finalidades, cuja determinação é objeto da ética e nunca da técnica, e de nada valerá defender postulados éticos se não pautar a conduta por esta.
Não há negar que diante da destruição dos mecanismos e da fragilidade dos instrumentos de controle de poder, exsurge a imperiosa necessidade de redirecionar os institutos de restauração política, assentado na ética e na moralidade.
O poder político é do povo e aqueles que o exercem por delegação, tem o compromisso de prestar contas de seus atos e omissões e estão sujeitos à responsabilidade pessoal pelos desmandos que eventualmente tenham praticado.
A propósito, sobreleva destacar a lição de Sócrates ao afirmar que enquanto todos são capazes de prontamente reconhecer a sua inabilidade, no exercício de alguma profissão técnica, quase ninguém se enxerga ignorante na complexa arte de governar, a qual exige não um conhecimento técnico mas eminentemente ético: saber distinguir o justo do injusto.
Deslembram-se os que exercem o poder que toda posição de poder, no campo político, é instável, enquanto não reconhecida legalmente pelo sistema jurídico. A transitoriedade do poder é que modifica o comportamento daqueles que o detém, impondo a estes o que Karl Max professava a “agirem como mandatários da burguesia, encarregados de gerir os negócios públicos de modo a favorecer os interesses dela, como classe dominante.”
As praticas delituosas das elites, como corrupção, golpes financeiros e tantos outros não são percebidos como ameaças evidentes. O crime organizado, como o narcotráfico, a lavagem de dinheiro, o contrabando e o mercado de armas não tem sido alvo de políticas repressivas consistentes. O controle social é freqüentemente influenciado mais pelas vantagens políticas imediatas do que por uma analise criminológica de sua eficácia.
Contudo, seja qual a posição, cabe lembrar que o mais forte, já advertia Rousseau, no Contrato Social, “não é nunca bastante forte para permanecer sempre no poder, se ele não transforma a sua força em direito e a obediência em dever.”

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