Uma tradição golpista

20 07 2010

Mauricio Dias em Carta Capital – 04.04.2008

A arte de ganhar com classe

O nordestino Luíz Inácio da Silva era um homem marcado para perder. Mas ele soube vencer. Escapou com determinação das adversidades sociais e alcançou a Presidência da República num clube em que só se entrava com diploma superior na mão. As exceções ficavam por conta do uso da força.

Lula subverteu a regra. Mas só depois de ter perdido três eleições. Nesse período, ele soube se comportar como derrotado, mesmo à frente de um partido que batia cabeça e não tinha a noção exata da própria identidade. Em 2002, chegou a vez de Lula ganhar.

Ele teve dois anos de armistício dos derrotados. O episódio do Valerioduto (uso de dinheiro não contabilizado para as campanhas eleitorais) deu à oposição uma plataforma de ação: um discurso de hipócritas da ética. Contra a vontade da mídia, a descrença dos políticos e a desconfiança dos empresários, foi reeleito em 2006. Ganhou de Geraldo Alckmin, o preferido do establishment.

A partir daí, a popularidade e a aprovação do governo entraram em ascensão. A oposição radicalizou ainda mais. Parece ter sido esse o pretexto para Lula adotar um discurso de retaliação. O tom mordaz, desafiador, irônico, do presidente exibe uma desnecessária ostentação da vitória que não se adapta aos bons vencedores.

Lula, líder político, sabe perder. Falta provar, no poder, que sabe ganhar.

Uma tradição golpista
A prática política mais repetida na história da República brasileira tem sido a busca de atalhos golpistas. À margem do jogo político, essa prática é a manifestação nua e crua da luta sem medidas pelo poder. A mais recente Comissão Parlamentar de Inquérito criada no Congresso, a CPI da Tapioca, faz parte dessa tradição. A oposição vem fazendo dessas comissões uma arma de conspiração. O dossiê divulgado pelo senador tucano Álvaro Dias é um exemplo alarmante.

Dias alegou que avisou ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, assim que recebeu os documentos, que um suposto dossiê estaria “sendo preparado no Palácio do Planalto para intimidar a oposição”.
Esse suposto dossiê contra FHC guarda semelhança com “as cartas falsas” de Arthur Bernardes, com o “Plano Cohen”, às vésperas do Estado Novo, com a “Carta Brandi”, no governo de Getúlio Vargas, em 1953. Enfim, fatos e personagens de um cenário constante de conspirações. Antes das eleições presidenciais de 1922, o candidato Arthur Bernardes foi acusado de escrever cartas contra os militares. Eram falsas. Às vésperas do Estado Novo (1937), o general Góes Monteiro, que viria a ser o condestável do regime às portas, divulgou o texto do “Plano Cohen”. Era um suposto esquema de tomada de poder pelos comunistas. Outra falsidade.

Carlos Lacerda, símbolo imorredouro do golpismo no País, entra em cena com a “Carta Brandi”, em agosto de 1953, três semanas antes do suicídio de Getúlio Vargas. Lacerda divulgou um documento, atribuído ao parlamentar argentino Antonio Brandi, com supostos planos de Vargas para a implantação de uma república sindicalista no Brasil. Mentira.

Os tucanos e os Democratas (Ex-Arena, ex-PDS, ex-PFL) são herdeiros diretos dessa tradição conspirativa, que tem como expressão atual – viva, sã e vaidosa – o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Em 2005, o DEM e o PSDB (com o apoio do ex-comunista Roberto Freire, do PPS) buscaram desesperadamente o impeachment do presidente; em 2006, propunham que Lula desistisse da reeleição. Era o golpe branco.
O documento, contendo informações sigilosas sobre gastos da “Conta B” da Presidência da República no governo Fernando Henrique Cardoso, remete a uma pergunta elementar: a quem interessa o crime? Aliás, quem perguntou a FHC se é verdade que dona Ruth Cardoso comprou caviar com o cartão funcional da Presidência?

Qualquer semelhança com a atualidade NÃO é mera coincidência.

Brasil, prá frente é que se anda. Retrocesso jamais. 2010 Dilma Presidente. E logo no primeiro turno.

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