Educação

11 07 2010

Por isso temos o que temos

No tocante ao baixo desempenho obtido pelo ensino público obtido com as notas do Ideb (Índice de Desempenho da Educação Básica) penaliza-se apenas o professor. A avaliação está incorreta. Pode existir falhas do professor, mas sem qualquer exagero é a parte que menos tem responsabilidade sobre toda esta problemática.
Se fôssemos procurar culpados, certamente não precisaríamos de nenhuma lanterna filosófica. Eles estão bem aí, diante de nós. São os responsáveis pelas mudanças introduzidas no sistema e que visam inflacionar índices – mas que terminam contribuindo para projetá-los negativamente.
Explica-se. O EJA, que é o programa de educação de jovens e adultos, tinha, em outros tempos, a finalidade específica de atender exatamente “aos jovens e adultos” e funcionava apenas no turno da noite. Hoje, o EJA disseminou-se na escola pública de tal modo que estudantes de qualquer idade, independente de distorção, podem se matricular – e funciona em qualquer horário.
Com isso, fazem duas séries em apenas uma. Como pode alguém aprender assim?! Tem mais. Um aluno que sai desta modalidade educacional para ensino médio não pode ter mesmo desempenho de um estudante do ensino regular. O governo quer apenas dizer que está havendo avanço na educação – e nem está conseguindo.
Outros fatores contribuem para a avaliação. Os pais devem participar mais da educação dos seus filhos e não apenas entregá-los para a responsabilidade absoluta da escola e dos professores. Isso constitui negligência. Está dentro dos componentes intangíveis do componente negativo.
Hoje em dia, pais se recusam em participar das atividades propostas pelas escolas, como por exemplo as reuniões com os professores. É importante ressaltar: educação não se faz apenas com professores. Uma deputada estadual do Piauí fez uma proposta interessante: penalizar a negligência de pais cada vez que o aluno ficasse de recuperação ou reprovado.
Os investimentos no setor são muito elevados atualmente. O governo gasta com livros, merenda escolar, equipamentos de informática etc. Antes, os recursos eram escassos. Atualmente, não. Os pais preocupam-se apenas quando colocam seus filhos em escolas particulares. Isso, porque estão pagando.
Na escola pública, eles parecem não dar a mínima. Trata-se de importante tema para debate. O livro didático é um exemplo. Os estudantes não zelam. Seus pais também não dão qualquer importância ao material – porque o custo não sai diretamente do bolso de cada um. É a sociedade que está pagando, coletivamente.
Os livros, na maioria dos casos, não são sequer encapados. Alguns dizem que suas famílias não têm dinheiro para comprar um metro de plástico, que custa apenas 50 centavos. Pode-se encapar também com papel de sacola. O importante é que se encontre uma maneira de preservar o livro por vários anos.
São detalhes que demonstram estarmos a anos-luz de uma perspectiva de avaliação positiva. O sistema educacional não é feito apenas pelo governo. É feito, acima de tudo, por cidadãos.

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