Para onde caminha o PIG, PSDB/DEMO…

2 06 2010

O destino do PIG, PSDB/DEMO, TV GLOBO & Cia.

Qualquer semelhança com o PIG nao é mera coincidência…

A União Democrática Nacional, mais conhecida como UDN, foi o grande partido liberal, centrista, ético, tipicamente de classe média, dos bacharéis e dos lenços brancos, formada pelas forças de resistência à ditadura do Estado do Estado Novo, que viveu sua fase dourada no período que se inicia em 1945 e fecha com o golpe militar em 1964.

Como muita gente nessa vida – artista que não param na hora certa, ainda no apogeu ou aos primeiros sinais de decadência, e teimam em prolongar a carreira quanto as rugas marcam o passar dos anos no rosto devastado; craques que brilharam na sua época e mancham a imagem com os penosos testemunhos da desobediência às limitações da idade -, a UDN não soube envelhecer e morreu assassinada no dia 27 de outubro de 1965, pelo AI-2, no governo inaugural dos quase 21 anos de arbítrio, pelas mãos do presidente Castello branco, udenista confesso. Enterro de indigente, sem velório, choro ou discurso.

A coitada, decrépita e desmoralizada pelos desatinos dos últimos anos de existência desregrada teve o seu fim acertado em complô da família que não mais a suportava. Castello Branco, udenista,  concordou com a solução proposta pelo ministro udenista da Justiça, Juracy Magalhães, de extinguir os partidos para evitar a vitória previsível do Partido Trabalhista Brasileiro, o PTB getulista, na eleição para renovar o Congresso, em 1966. Projeções de analistas políticos, muitos anos depois, refizeram os cálculos e desmentiram o prognóstico, usado como pretexto para acabar com as legendas geradas a partir de 1945, com raízes mergulhadas nas rixas estaduais, com ramificações municipais, muitas com o peso de tradições venerandas da República Velha e que sobreviveram ao jejum político da ditadura de Vargas.

Solteirona atrevida, se depois de morta não foi rainha, deixou herdeira, a desfrutável Arena, justamente definida como “a filha da UDN que caiu na zona”. Gerada no ambiente prostituído pelas arbitrariedades e violências da revolução que se perdeu no começo do caminho e não mais se encontrou.

A má lembrança que ficou do torto percurso nos becos da perdição apagou a memória da UDN que plasmou o modelo de oposição parlamentar nos governos de Dutra, sustentada pelo deputado Aliomar Baleeiro e alguns resistentes, apesar da contradição do acordo interpartidário com o PSD e o PR; emendando no de Getúlio Vargas, na volta da desforra pelo voto, e de Juscelino Kubitschek. Daí por diante, com a única vitória em eleição presidencial com a candidatura de empréstimo de Jânio Quadros, em 3 de outubro de 1960 – e que durou menos de sete meses, de 31 de janeiro a 25 de agosto de 1961, com a interrupção da renúncia -, a UDN desfigurou-se e foi virando a sua caricatura.

De 1946 até a mudança da capital para Brasília, em 21 de abril de 1960, a UDN foi o único partido em toda a nossa história política que cultivou o hábito de se reunir semanalmente.

Não era preciso aviso nem convocação. Às 10 horas das quartas-feiras, o Diretório Nacional da UDN realizava a rotineira sessão ordinária, na sua sede, na Rua México. Instalações modestas e sóbrias, decentes. Auditório com cadeiras fixas para os assistentes. O espaço nobre do andar ocupado pelo partido, com a secretária, salas para os dirigentes, serviços auxiliares.

Reuniões semanais e abertas à imprensa e ao público. O comparecimento variava com a temperatura da agenda. Dos extremos das sessões rumorosas, quando o partido estalava nos confrontos oratórios dos seus bacharéis, aos dias de escasso interesse, jamais faltou quorum. E discurso.

A cobertura das reuniões udenistas incluía-se entre as obrigações dos repórteres políticos. Assíduos ou eventuais, todos os jornalistas da minha geração freqüentaram a UDN. Como quem vai ao cinema ou ao teatro, deliciar-se com o espetáculo e catar informações para encher o noticiário.

Numa delas, assisti ao deputado Carlos Lacerda ser surpreendido, em debate em que saiu em desvantagem, com um então desconhecido provinciano, Osvaldo Pierrucetti, secretário do presidente da seção mineira do partido, Magalhães Pinto. A célebre metralhadora de Lacerda, num dos giros temperamentais, alvejou o chefe udenista, Magalhães Pinto, acusado de desvios da linha política.

Magalhães Pinto designou o auxiliar de confiança, provado na dedicação, para defendê-lo. Aberta a sessão, Carlos Lacerda entrou rijo no ataque devastador. A eloqüência torrencial soterrou o futuro governador com a avalanche de denúncias de desvios da linha partidária, o desfile de fatos, o jorro de argumentos, que soavam como irrespondíveis.

Da sua cadeira na mesa, Osvaldo Pierrucetti ouviu impassível, sem uma contração na máscara do mineiro que se resguarda no silêncio. E o advogado afamado em Araguari, no Triângulo, produziu um dos discursos mais impressionantes que jamais ouvi. Valorizando pela surpresa. Um fantástico expositor. Fluente, elegante, correto, desmontou uma a uma todas as denúncias de Lacerda. Com dados precisos de fontes respeitáveis. Falou durante mais de uma hora, sem pausa. Duro, enérgico e educado. Carlos encaixou dois ou três apartes e depois calou-se. E, ao afinal, com o auditório aplaudindo, levantou-se e cumprimentou o orador.

Claro, nem todas as quartas-feiras tinham o seu show de oratória. Sessões sonolentas, de discurseira soporífera, esvaziavam a platéia. Permaneciam. Bocejando, os que não podiam dar o fora.

Num dessas manhãs encaloradas, a sessão prolongava-se pelo começo da tarde. Na tribuna, orador torrencial, em voz monocórdica de falsete, enrolava-se em intriga municipal, contada em seus mínimos detalhes. A lengalenga parecia não ter fim.

Na presidência, o deputado Otávio Mangabeira dissimulava a impaciência apelando para as reservas da cortesia baiana. À sua direita, o deputado Aluísio Alves, secretário do partido, indagou, curioso:

– Doutor Mangabeira, quem é o ilustre orador?

A resposta é um primor de ironia e melhor retrato da velha UDN:

– Não sei. Acho que é um transeunte…

Vilas-Boas Corrêa em http://www.auniao.pb.gov.br/v2/index.php?option=com_content&task=view&id=31739&Itemid=74

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